‘Vinyl’ Cancelada—HBO Vive o Drama da Perda de Sua Marca de Ousadia


A HBO foi um dos canais que ousou na produção de suas séries ao apresentar temas e personagens de maneira pouco antes vistos, ajudando assim a criar um novo padrão de qualidade para a televisão. Mas ao lançar, renovar, e após apenas uma temporada, cancelar a série ‘Vinyl’, que de certo apresentava problemas técnicos, a HBO demonstra uma ânsia desgovernada em criar uma nova obra-prima, também revelando que se preocupa muito mais com audiência e com os críticos do que ela mesma parecia acreditar.


No dia 22 de junho a revista Variety anunciou a decisão da HBO em cancelar a série ‘Vinyl’, estrelada pelo ator Bobby Cannavale. Esta não foi a primeira vez que uma série atinge um índice de audiência abaixo do esperado em sua 1a. temporada. Esta também não é a primeira vez que um canal se entrega aos críticos e abandona um projeto caro e ambicioso. Mas a HBO não era tão assim.


Laysa Zanetti, anunciando o cancelamento de ‘Vinyl’ no site Adorocinema recorda que no ano passado o canal também cancelou a série cômica “The Brink” (com Jack Black e Tim Robbins) nos lembrando que, “até então, era muito raro a HBO desistir de um projeto após somente uma temporada”.

A HBO fez um grande investimento em ‘Vinyl’, a começar pelo time da produção intensamente marketado como um projeto liderado pelos mitológicos Martin Scorsese e Mick Jagger, mas que entre outros, também contava com Terence Winter como co-criador, roteirista e produtor chefe da série. Winter trabalhou no roteiro e na produção de “The Sopranos” (1999-2007) da HBO, no roteiro de “O Lobo de Wall Street” (2013) dirigido por Scorsese (recebendo o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado), e foi o criador e produtor-executivo da fantástica—e, pelo público, pouco valorizada—série da HBO “Boardwalk Empire” (2010–14), que na lista de produtores incluía Martin Scorsese e o ator Mark Wahlberg, e que deu a Bobby Cannavale o Emmy 2013 de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama.

Em resumo, o drama sobre a indústria musical ‘Vinyl’ tentou contar a estória de Richie Finestra, vivido pelo arrojado ator Bobby Cannavale, que na Nova York da década de 1970 preside uma gravadora em colapso financeiro. Acreditando que sua missão é preservar o verdadeiro espírito do Rock&Roll, Richie luta ferozmente para manter sua gravadora e voltar a lançar novos sons e novos artistas e se manter ainda relevante na indústria. Richie também lida com problemas pessoais, como o seu relacionamento com sua esposa (Devon, uma ex-musa de Andy Warhol que ao se casar com Richie torna-se uma dona de casa sem mais aspirações), e principalmente com o poderoso apego que ele tem à cocaína. Na trama literalmente de sexo, drogas e Rock&Roll, nomes reais da música e das artes, como Alice Cooper, Andy Warhol, Joey Ramone, New York Dolls, Led Zepplin, e David Bowie, interagiam com os personagens fictícios. Richie Finestra foi artesanalmente construído para se tornar o mais novo anti-herói da HBO.

O episódio piloto dirigido por Scorsese, que parece ter servido como um guia base para o resto da série, foi na verdade um longa-metragem não só por suas 2 horas de duração, mas também pela tentativa do estilo cinematográfico scorseseano onde cocaína, máfia, e assassinato (e a desova do corpo carregado na mala de um carro) passam a ditar o tom de toda trama. Assim, o foco durante toda a série permaneceu excessivamente em Richie, e no seu vício, não explorando alguns ótimos personagens com suficiente profundidade—em especial a profissional fodona de relações públicas Andrea Zito, única mulher batendo de frente com Richie dentro da misoginia da época e, de certa forma também da série, papel este interpretado surpreendentemente bem pela pouco valorizada Annie Parisse afinal em um papel digno.

Os temas obsessivos de Scorsese, “máfia” e “cocaína”, não caíram como luva na trama. Com um Richie chapadão em coca em quase em todas as cenas, Bobby Cannavale quase não pôde salvar o personagem de soar um tanto caricato no final da temporada. O tema era ousado, mas a série nem tanto. Mas quem assistiu ‘Vinyl’ talvez tenda a concordar com a afirmação de que apesar das falhas, a série prometia.


Em 1996 Mick Jagger apresentou uma ideia para um filme a Martin Scorsese. Em 2010, ‘Vinyl’ é apresentada à HBO em formato de série e passa a ter Terence Winter na equipe de produção. Não é possível negar que a parceria entre Scorsese e Jagger criaria uma expectativa automática de que este seria um sucesso certo e absoluto—parceria usada em quase toda a peça publicitária da série.



Vídeo publicitário da série ‘Vinyl’.


Bem antes da estreia a HBO parecia confiante de que ‘Vinyl’ viria para arrebentar. O sucesso ainda se faz necessário já que hoje o único drama de sucesso do canal é “Game of Thrones”. Os críticos também estavam confiantes. Em 6 de agosto de 2015, após o lançamento do trailer da série, Lesley Goldberg da revista The Hollywood Reporter disse:

“Após empolgar a Associação de Críticos de Televisão, a HBO divulgou as primeiras cenas de seu próximo drama de rock ‘n’ roll, Vinyl.
Enquanto o clipe de um minuto divulgado na quinta-feira não pode ser comparado ao trailer mais longo mostrado aos críticos da Associação, o clipe oferece uma visão ótima do que se pode esperar do drama sobre rock ‘n’ roll nos anos 70”.

Com ‘Vinyl’ a HBO—o canal que nos presenteou com Tony Soprano—estaria lançando a sua mais nova e memorável obra-prima, o quê parece já estar fazendo falta ao canal considerando toda pompa no lançamento assim como todo recente drama do cancelamento. O anúncio do fim da série foi a declaração da total frustração da HBO com a recepção de seu projeto, especialmente quando logo de início ‘Vinyl’ foi intensa e extensivamente comparada à icônica obra da nova televisão-arte, ‘Mad Men’ (2007-2015).

‘Mad Men’, de cara, foi a mosca na sopa de ‘Vinyl’. Filipa Jodelka, por exemplo, foi direta em sua crítica pós-estreia para o The Guardian: “Acontece que muito do que é apresentado em ‘Vinyl’ já foi feito melhor em ‘Mad Men’”. O site Pajiba desenvolveu uma lista de 11 argumentos propondo que “‘Vinyl’ e ‘Mad Men’ São Exatamente O Mesmo Programa”. Ben Travers, para a revista IndieWire debochou: “‘Vinyl’ é Tipo Um ‘Mad Man’ Sob o Efeito de Drogas, Mas A Gente Precisa de Uma Outra Estória Sobre Don Draper?” (Tal comparação nos remete ao fato de que tanto Matthew Weiner, o criador e roteirista de ‘Mad Men’, quanto Terence Winter fizeram parte do time de roteiristas de ‘The Sopranos’.)

A comparação teria sido apenas uma mera comparação dos críticos não fosse pelo fato de, ironicamente, a série ‘Mad Men’ ter sido rejeitada pela HBO para ser acolhida e lançada como o primeiro drama original do canal AMC que, um ano depois arrebentou com outra obra-prima, ‘Breaking Bad’ (2008-2013)—e que hoje tem a série que bateu recordes de audiência na história das séries da TV paga dos Estados Unidos, o drama de terror ‘The Walking Dead’ (2010-), que não teve sua audiência da estreia da 2a. parte de sua 6a. temporada nem um pouco estremecida quando dividiu o mesmo horário da noite de 14 de fevereiro com a estreia de ‘Vinyl’.

Além da comparação com ‘Mad Men’ houveram várias outras críticas negativas. Mas contrabalançando esse quadro houveram também as críticas favoráveis à série. No site Rotten Tomatoes, por exemplo, o consenso dos críticos do site foi de que,

“‘Vinyl’ nem sempre mantém a batida no aspecto dramático, mas em geral a série honra habilmente os pioneiros do rock dos anos 70 com estórias envolventes, uma trilha sonora no ponto certo, e com ricos detalhes da época”.

Mesmo com a crítica e com a audiência não atendendo as expectativas, logo após sua estreia a série teve a renovação de sua segunda temporada confirmada pela emissora, como uma manifestação de apoio seguindo a transmissão do episódio piloto dirigido por Scorsese. Contudo, em 8 de abril, nove dias antes do último episódio de ‘Vinyl’ ser exibido, o clima nefasto que pairava sobre a produção da série foi revelado ao público. Colunistas de TV publicam a notícia de que Terence Winter saíra da equipe de ‘Vinyl’ quebrando uma parceria de mais de 20 anos com a HBO. À revista Deadline, a HBO deu a seguinte declaração: “Ao caminharmos rumo à segunda temporada de Vinyl, decidimos que este é o momento apropriado para fazer uma mudança na direção criativa da série” . O mesmo que dizer que a saída de Winter se deu por diferenças criativas; um divórcio amigável.

A crítica Filipa Jodelka alega que a HBO deu muita liberdade de controle a Scorsese e Jagger e que,

“por todo ‘reconhecimento global’ e ‘Prêmios da Academia’ e blá blá blá, [Scorsese e Jagger] já gastaram tanto dinheiro nos restaurantes de bom gosto de Los Angeles (…) que já perderam toda noção de limites”.

De fato, somente no primeiro episódio, dirigido por Scorsese, foram gastos 30 milhões de dólares (!). É claro que houve um bom e velho bafafá entre Winter e a dupla Jagger/Scorsese—ou algo parecido. Mas até então a HBO continuou defendendo o seu projeto. No mesmo anúncio da saída de Winter, o canal também anuncia que Scott Z. Burns (roteirista de “O Ultimato Bourne” de 2007) substituiria Terence Winter como produtor chefe da série, escalando também o roteirista Max Borenstein (“Godzilla” de 2014) para juntos formarem o “novo time no comando da série”.

Porém, o epílogo deste drama da série de drama ‘Vinyl’ começa e termina em 20 de maio com a abrupta saída Michael Lombardo, diretor de programação do canal (que alegou ter decidido tornar-se produtor de alguma coisa), para logo ser substituído por Casey Bloys. Melinda Newman, colunista da revista Forbes, diz que além da crítica e da audiência, a “série também sofreu com alguma turbulência interna, com o produtor chefe Terence Winter deixando o show após a primeira temporada” e que isso junto ao alto custo da produção “poderiam ter sido fatores igualmente prováveis contribuindo para a decisão”.

A troca brusca do diretor de programação se traduz como uma forma de pôr ordem e limite na trapalhada e no embaraço dentro da produção de ‘Vinyl’. A tática de comando adotada por Bloys, todavia, foi o drástico cancelamento da série um mês após ele assumir a diretoria de programação.

No dia 17 de abril, dia da exibição do último episódio de ‘Vinyl’, o crítico da revista Hollywood Reporter, Tim Goodman, argumentou que enquanto Scorsese e Jagger levaram todo o crédito antes da estreia, Terence Winter foi “atirado ao mar” pela HBO ao final da temporada quando o canal publicamente declarou a necessidade de uma mudança na direção criativa. Para Goodman, Winter “levou a culpa” sozinho em um time formado por “nove produtores executivos, dois co-produtores executivos e quatro produtores”. O crítico diz que há uma palavra para justificar 15 produtores, “insanidade”, pois concordância na direção criativa seria certamente inviável com tanta gente envolvida. Mas ‘Vinyl’ realmente precisava ser cancelada?

O mesmo Tim Goodman, que já foi crítico musical e que inicialmente teve uma visão positiva da série, observa que ‘Vinyl’ essencialmente recebeu críticas positivas e até mesmo um índice 71 no Metacritic (e, devemos acrescentar o índice 8 no IMDb, e 77% de reações positivas no Rotten Tomatoes), mas que a série gerou um certo arrependimento em alguns daqueles críticos ao final da temporada, inclusive nele mesmo. Em seu artigo, Goodman pergunta “‘Vinyl’ pode ser salva?”, ao que ele responde “sim”, mas só com grandes mudanças e trabalho, ainda oferecendo as seguintes dicas básicas:

“[S]e livrar do vício em cocaína; se livrar do mafioso e do enredo de assassinato; despejar no lixo os interlúdios musicais que Scorsese favoreceu no episódio piloto mas acabou não tendo efeito nos outros episódios. Deixar a coisa enxuta. E, ah sim, aqui vai uma notinha. Vamos lê-la? Ela diz: ‘A série é sobre música’”.

Se haviam alternativas para a continuidade, por que então a HBO, com um novo produtor chefe e com um novo diretor de programação, desistiu tão rapidamente de um de seus projetos mais caros e ambiciosos? Matt Miller, em 22 de junho na revista Esquire, apresentou um bom argumento para o cancelamento em uma crítica um tanto quanto cáustica:

“No final, a série recebeu índices de audiência muito baixos porque você já assistiu a mesma trama mil vezes. Mas índice de audiência nunca foi uma grande preocupação para a HBO. O verdadeiro problema com ‘Vinyl’ foi que a série fez a HBO passar vergonha. Eles estouraram seu orçamento, sua própria reputação—e a reputação de alguns dos melhores artistas vivos—em um programa que combinava todas as piores partes de ‘Mad Men’ e de ‘Quase Famosos’ e que de alguma forma fez desta ideia algo pior do que na verdade ela aparentava ser”.

Zelar pela reputação é um bom argumento já que isso é o quê qualquer empresa faz para proteger seu negócio. Mas a questão é que tal argumento ainda reforça o nosso argumento de que o cancelamento da série foi um ato de covardia, ou perda de ousadia. Por mais vergonhosa que ‘Vinyl’ pudesse ter sido para a HBO, os problemas técnicos da série tinham solução. ‘Vinyl’ sai do ar, mas a série já faz parte de história da HBO; uma parte não muito agradável da história.

Se o cancelamento ocorreu como forma de preservar a reputação do canal, em parte, isso pode não funcionar. Qual seria a reputação que a HBO agora passa a ter? O canal pago que torra 100 milhões de dólares (valor gasto na 1a. temporada de ՙVinyl’!) em uma série que pode ou não ter continuidade? Agora há um certo risco em decidir acompanhar uma série da HBO, pois não há nada mais frustrante para um fã de séries de TV do que uma série sem um desfecho—qualquer que seja este. (E, pelo o amor de Tony Soprano! Ninguém tira Bobby Cannavale do ar sem um desfecho digno para o seu personagem!)

Ao não se empenhar na garantia de uma segunda (ou uma terceira) temporada “final” para ‘Vinyl’, a HBO optou por não defender o seu próprio projeto, incluindo seu elenco fantástico. Mesmo tendo ousado demais nos gastos, tudo ficou sem um fim, em uma série que primeira e obviamente não estava pronta para ir ao ar. Este fato denota a falta de uma certa audácia, a ousadia na qualidade que é a marca registrada das produções da HBO, sem mencionar a falta de ousadia para defender verdadeiramente o seu projeto e reputação.


O drama que a HBO vive com a produção de ‘Vinyl’ oferece uma indicação de que o mesmo efeito da crítica não favorável possa também afetar ‘True Detective’—a qual, convenhamos, não teve uma segunda temporada tão pior quanto a primeira, ou sequer uma primeira temporada tão muito melhor do que a segunda, como alguns críticos nos forçam acreditar—e qualquer outra série potencialmente boa que seja apresentada para um público hoje especializado, isto é, mais exigente mas que também se julga sofisticado demais para sobreviver o menor e qualquer deslize de produção.

Caso siga tal direção de forma mais frequente, a HBO tende a adotar a política dos canais abertos da TV estadunidense, que por dependerem muito dos anunciantes para sobreviverem, rotineiramente cancelam programas após o episódio piloto quando estes não alcançam um bom índice de audiência. E, como já apontamos uma vez aqui no Blog sobre o cancelamento da série “The Bridge” do canal FX, mais uma vez um canal estadunidense não considera a audiência fora dos Estados Unidos em sua decisão. Vale observar que no Brasil, os canais estadunidenses mantêm atualizadíssimas as suas páginas descoladas no Facebook para atrair elogios e como forma superficial de keep in touch com o consumidor internacional, sem presar muita atenção nos seus fãs.

(Quanto à recepção da série no Brasil, a revista Rolling Stones Brasil publicou a matéria “HBO cancela ‘Vinyl’, série de Mick Jagger e Martin Scorsese, após primeira temporada” que gerou 5 comentários. Todos eles lamentaram o cancelamento da série, como, “Poxa pra mim pior noticia do dia, estava esperando ansioso a segunda temporada”, escreveu Marcelino Campos; e, “Caralho, mas isso é uma sacanagem sem tamanho”, desabafou F.Z.. Na página da revista no Facebook o número de comentários foi bastante maior e a maioria também lamenta o cancelamento, mas também contém alguns poucos comentários favoráveis à decisão. Já a página da “HBO Brasil” no Facebook não anunciou o cancelamento da série, recebendo alguns poucos comentários em postagens diversas indagando sobre a decisão do canal, e o comentário de Samayle Fachiano que reprova a ausência da noticia na página: “Acho digno a HBO Brasil publicar uma nota para os fãs brasileiros de Vinyl, porque soube da notícia que cancelaram a segunda temporada por outras páginas, espero que seja mentira!”)

O sucesso quase que absoluto da hoje preciosa série de fantasia medieval literária ‘Game of Thrones’ (uma produção excelente e bem cara, e que como tudo que é bom terminará em algum momento no futuro), a HBO corre para lançar um novo drama de sucesso. Com ՙVinyl’, infelizmente, a HBO não conseguiu distinguir um projeto audacioso de um projeto pretensioso.

O drama da morte de ՙVinyl’ talvez também seja o prenúncio de que a era do drama anti-herói está chegando ao fim e que os dramas que misturam fantasia, terror, ficção científica, e as tramas baseadas em romances gráficos e nos games, em um futuro próximo se tornarão o novo foco dos dramas da televisão-arte. Com isso o foco estaria no público jovem, o quê, contanto que tenha uma boa dramaturgia, não é necessariamente ruim mas rapidamente poderá cair no repetitivo. Assim, a HBO agora aposta—com mais um mega orçamento e aparentemente com a mesma ânsia de lançar uma obra-prima—na série de ficção científica sombria “Westworld”, versão do filme homônimo de 1973.

Basta saber se, após o término de GoT e com tanta pressão da crítica (e do público especializado), a HBO conseguirá produzir uma série com aquele padrão de altíssima qualidade e ousadia que ela mesma estabeleceu—e que hoje parece não mais saber alcançar.

Com isso, e para terminar, vale citar Gary Garrison do site The Playlist que avalia o cancelamento de ‘Vinyl’ como “mais uma casualidade da mudança de paisagem no mundo da televisão que, em um futuro próximo não será tão dominada por canais como a HBO”. O inverno está chegando?

c&p

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